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Reposição hormonal

Reposição hormonal: comprimido, gel, adesivo ou implante? Como se escolhe a via

A reposição hormonal feminina pode ser feita por comprimido, gel, adesivo, implante ou via vaginal. Entenda as diferenças, o que pesa na escolha e o que o CFM veda.

Publicado em 27 de setembro de 2026 · 9 min de leitura · por Instituto Antunes Júnior

Quando a decisão de fazer reposição hormonal está tomada, surge a pergunta seguinte: de que jeito? Comprimido, gel, adesivo, implante, creme vaginal. Cada via tem vantagens, cuidados e perfis de paciente para os quais faz mais sentido, e a escolha não é detalhe: ela muda o efeito no fígado, o risco de trombose e a facilidade de manter o tratamento.

Primeiro o hormônio, depois a via

A reposição hormonal da menopausa tem como base o estrogênio, que é o hormônio que trata as ondas de calor, os suores, a secura vaginal e protege o osso. Mulheres que têm útero precisam de um progestagênio junto, porque o estrogênio sozinho estimula o endométrio e aumenta o risco de câncer nesse tecido. Quem retirou o útero, em geral, usa só o estrogênio.

A via é o caminho pelo qual o hormônio entra no corpo. E esse caminho muda bastante coisa.

Comprimido

É a forma mais conhecida e prática: um comprimido por dia. Por via oral, o estrogênio passa primeiro pelo fígado antes de chegar ao resto do corpo. Nessa passagem, o fígado aumenta a produção de fatores de coagulação e pode elevar os triglicerídeos.

Por isso, em estudos observacionais, a via oral se associa a um risco maior de trombose do que a via pela pele. Para muitas mulheres saudáveis, o comprimido continua sendo uma boa opção. Para outras, a via transdérmica costuma ser preferida.

Gel e adesivo

Pelas vias transdérmicas, o estrogênio é absorvido pela pele e chega ao sangue sem a primeira passagem pelo fígado. O gel é aplicado diariamente na pele, e o adesivo é trocado uma ou duas vezes por semana.

Essas vias costumam ser preferidas em mulheres com excesso de peso, triglicerídeos altos, maior risco de trombose ou enxaqueca, entre outras situações. Os cuidados são práticos: o gel precisa secar antes de a pele encostar em outra pessoa, e o adesivo pode irritar a pele ou descolar com calor e suor.

Implante

O implante é um pequeno dispositivo colocado sob a pele, que libera o hormônio de forma contínua por alguns meses. A vantagem é não depender de lembrar da dose todos os dias.

Os cuidados também existem: depois de colocado, o implante não permite ajustes finos de dose, e interromper o tratamento de uma hora para outra é mais difícil. Por isso exige indicação criteriosa, dosagens de controle e acompanhamento regular. E, como em qualquer via, a mulher que tem útero continua precisando de proteção do endométrio.

O "chip da beleza" não é reposição

Implantes com hormônios androgênicos, vendidos para emagrecer, ganhar músculo, melhorar disposição ou desempenho, não são reposição hormonal. A Resolução CFM 2.333/2023 veda a prescrição de terapias com esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de melhora de desempenho.

Reposição hormonal trata a falta de um hormônio que causa sintomas e prejuízo à saúde. Qualquer proposta de hormônio para "ficar em forma" está fora do que é permitido e dos cuidados que o tratamento exige.

Via vaginal

O estrogênio em creme, óvulo ou comprimido vaginal age principalmente no local e é indicado para a síndrome geniturinária da menopausa: secura, ardor, dor na relação e infecções urinárias de repetição. A absorção para o resto do corpo é muito pequena, e ele pode ser usado sozinho ou junto com a reposição sistêmica, conforme os sintomas.

E o progestagênio?

A proteção do endométrio também pode ser feita de formas diferentes: comprimido por via oral, via vaginal e, em alguns casos, o DIU hormonal, que libera o progestagênio dentro do útero. O tipo e a via do progestagênio entram na escolha, inclusive pelo que se sabe sobre as diferenças entre eles.

O que pesa na escolha

  • A história clínica: trombose na família, enxaqueca, doença do fígado, pressão, triglicerídeos.
  • O peso e o metabolismo.
  • Os sintomas que mais incomodam, sistêmicos ou locais.
  • A rotina e a preferência da paciente: quem esquece comprimido pode se dar melhor com adesivo, e quem tem pele sensível pode preferir outra via.
  • O acesso e o custo de cada opção.

A via escolhida no início não precisa ser para sempre. Ela pode ser ajustada conforme a resposta e os efeitos.

Quando a dose precisa de ajuste

Nas primeiras semanas, o corpo está se adaptando, e alguns sinais ajudam a calibrar o tratamento:

  • Ondas de calor que continuam fortes depois de algumas semanas podem indicar dose insuficiente ou absorção baixa, comum com o gel quando aplicado em área pequena ou lavado cedo.
  • Mamas doloridas e inchaço costumam aparecer no início e melhorar, mas se persistirem podem indicar dose alta.
  • Sangramento vaginal fora do esperado precisa ser comunicado e, conforme o caso, investigado.
  • Irritação na pele com o adesivo pode pedir troca de local ou de via.

Nenhum desses ajustes deve ser feito por conta própria. Trocar a dose, aplicar mais gel ou dobrar o comprimido sem orientação pode mascarar um problema ou aumentar o risco.

Por quanto tempo se faz reposição

Não existe um prazo fixo que sirva para todas. A regra é usar a menor dose que controla os sintomas pelo tempo em que o benefício continua maior que o risco, com reavaliação ao menos uma vez por ano. Algumas mulheres usam por poucos anos; outras, com sintomas persistentes e bom perfil de risco, por mais tempo. Quando chega a hora de parar, a redução pode ser gradual, para os sintomas não voltarem de uma vez.

O acompanhamento é o mesmo para todas

Seja qual for a via, a reposição pede a menor dose que controla os sintomas, mamografia e avaliação ginecológica em dia, atenção a sangramentos, controle da pressão e reavaliação pelo menos anual. Vale ler também sobre reposição hormonal e câncer de mama.

No Instituto Antunes Júnior, em Caruaru, a escolha da via faz parte da avaliação da reposição hormonal feminina: primeiro se confirma a indicação, depois se escolhe o caminho que combina com a saúde e a rotina de cada mulher.

Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Os tratamentos citados possuem indicações, limitações e contraindicações, e dependem de avaliação clínica individual. A resposta ao tratamento varia de pessoa para pessoa e não há garantia de resultado. Responsável técnico: Dr. José Antunes de Souza Júnior, CRM-PE 16761.

Perguntas frequentes

Qual é a melhor via de reposição hormonal?

Não existe uma via melhor para todas. O comprimido é prático, mas passa pelo fígado. Gel e adesivo evitam essa passagem e costumam ser preferidos em quem tem excesso de peso, triglicerídeos altos ou maior risco de trombose. A escolha é individual.

Gel e adesivo têm menos risco de trombose que o comprimido?

Estudos observacionais mostram risco menor de trombose com a via transdérmica do que com a via oral, porque o estrogênio pela pele não passa primeiro pelo fígado. Por isso ela costuma ser preferida em mulheres com maior risco.

Implante hormonal é permitido?

O implante é uma via possível de reposição quando há indicação, com dosagens de controle e acompanhamento. O que a Resolução CFM 2.333/2023 veda é prescrever esteroides androgênicos e anabolizantes para estética, ganho de massa muscular ou desempenho.

Quem tem útero precisa de progesterona?

Sim. O estrogênio sozinho estimula o endométrio e aumenta o risco de câncer nesse tecido. Mulheres com útero usam um progestagênio junto, por comprimido, via vaginal ou, em alguns casos, pelo DIU hormonal.

O estrogênio vaginal serve para quê?

Para secura, ardor, dor na relação e infecções urinárias de repetição da menopausa. Ele age principalmente no local, com absorção muito pequena para o resto do corpo, e pode ser usado sozinho ou junto com a reposição sistêmica.

Ainda com dúvida se é o seu caso?

A avaliação existe para responder isso. Traga seus exames e sua rotina.

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